quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Dançando no Escuro recs. entrevista Chaos is (Screamo/Punk - França)

Essa é uma entrevista que o selo Dançando no Escuro fez recentemente com a banda francesa de screamo/punk Chaos Is.

1 – Como a banda começou? Qual é o propósito desde o começo?

I: A história do CHAOS IS... tem mais de 10 anos. Mais do que qualquer coisa é uma história sobre amizade porque nos conhecemos há muito tempo. Nós tínhamos uma banda chamada IBYLOM em 1999, com uma pegada “metal/emocore”. Enquanto tocávamos, descobrimos essa “cena emo/screamo”, então o IBYLOM seguiu esse estilo. A banda acabou 5 anos depois da 1ª demo. Então Simon (bateria) e Bobo (guitarra) continuaram tocando juntos (numa banda chamada NOIR, e finalmente como uma dupla no CHAOS IS). Minha outra banda ATILA acabou também e então pedi a Simon e Bobo para voltarmos com a IBYLOM. Nós gravamos uma nova demo com 3 músicas (baixe em: http://www.mediafire.com/file/2wwdnx2mgmw/iblylom_demo080907.rar). Porém tocar na IBYLOM e CHAOS IS... ao mesmo tempo era sem sentido. Então colocamos toda nossa paixão numa banda só: CHAOS IS...

M: Eu conheci Simon durante um show na Bélgica, onde nossas duas bandas tocariam. Quando eu cheguei em Strasbourg, estava procurando por uma banda pra tocar porque havia deixado o lugar onde morava e também minha antiga banda. Simon tinha uma dupla com Bobo (1ª formação do Chaos Is) que tinha acabado de fazer uma pequena turnê. Eu falei com eles, expliquei minha situação e então entrei na banda após algumas repetições (Ianik havia entrado um pouco antes). Isso funcionou na hora! Alguns meses depois, tocamos nosso 1º show como uma banda com 4 integrantes.

S: Chaos Is começou como uma dupla, Bobo e eu queríamos tocar sem mais ninguém, por causa das concessões que você tem que fazer quando você é um a mais na banda (e o espaço que isso toma em um veículo!) Mas com amizade e amor isso não é mais importante, esse é o porque de Matt e Ianik terem entrado na banda, dois caras apaixonados e grandes amigos! O propósito? Falar, partilhar, nos expressar, fazer nossos instrumentos sofrerem, amor... punk.

2 – O que vocês acham desse lançamento? Lançar um material em um lugar em que vocês nunca estiveram e não têm muito contato?

I: Isso é algo especial e muito simbólico. Além da música, isso prova que muitas pessoas podem fazer coisas incríveis separadas por milhares de kilometros. Eu não conheço nada do Brasil, a não ser carnaval, samba, folclore... e SEPULTURA! Então encontrar uma pessoa motivada a lançar nossas músicas, uma banda francesa totalmente desconhecida é quase surreal. Eu só posso agradecer vocês por tudo que estão fazendo por nós.

B: É fantástico ter a chance de lançar um disco, especialmente na América do Sul, onde a maioria das bandas que eu conheço são bandas de fastcore e um hardcore “violento”. Eu acho que existem muitas bandas boas com esse espírito “punk-hxc”. Lançar nossa música em seu país é como uma forma de reconhecimento pela nossa paixão e trabalho, nosso jeito de tocar “punk”, em um país onde a cultura é consideravelmente diferente.

M: Para mim é o mesmo. Eu não conheço muitas coisas sobre a América Latina, a não ser que encontro tapas ou fajitas J. É claro, acho que o movimento punk e o DIY também existem em outros países, e é legal ver que a música une diferentes culturas e diferentes pessoas.

S: Acho que fazer parte do microcosmo punk nos permite fazer coisas sem sermos forçados a aceitar ajuda de companhias. E isso é o porque d’eu viver e agradecer ao punk!

3 – Nós sabemos que a França é berço de muitas bandas de screamo, como Belle Epoque, Daïtro, Sed Non Satiata e Anomie. Vocês vindo de uma cena um tanto quanto peculiar, sentem algum tipo de dificuldade de arranjar shows pra tocar, selos pra lançar ou o screamo na França é algo mais popularizado?

I: Eu não sei se o “screamo” é tão popular na França. Nós temos muitas bandas que são representantes dessa cena. Eu acho que Daïtro, Gantz, Belle Époque, Amanda Woodward, Anomie e todas essas outras boas bandas deixaram suas marcas na cena screamo. Mas além disso, é também motivação e coragem de algumas pessoas que fazem tudo para manter essa cena viva, que organizam shows e tentam ajudar as bandas como podem. Algumas vezes, pequenos selos, como selos DIY, são criados para ajudar bandas a lançar seu material e ir em turnê. Mas depois, ligam o “stand-by” porque é difícil investir dinheiro em seu selo ou banda e ao mesmo tempo na sua vida diária. E sobre apoio, eu tenho uma opinião bastante crítica sobre isso. Não existe, necessariamente, apoio entre todos, você pode algumas vezes ajudar bandas que nunca lhe retornarão isso, e acho que isso é a coisa menos importante. Mas principalmente nessa cena, nós conhecemos uns aos outros, e todas essas pessoas que estão tocando ou participando em pequenos discos com seus selos, são amigos.

B: O que eu acho estranho é que na França existem muitas bandas boas nessa cena, mas para dizer que o punk-hxc é popular, acho que não. Nós podemos fazer uma comparação com outros países europeus como Espanha, Alemanha e Holanda, onde existe uma cultura real na cena e nós sentimos que há sempre pessoas prontas a se doarem nos projetos, com grandes estruturas, incluindo a presença de muitos squats e lugares pra tocar, mas de um jeito autônomo.

M: Não tenho muito a acrescentar, exceto que eu acho que é uma vergonha nessa cena, onde nós dividimos nossos desejos e sentimentos, que não exista mais compaixão. Muita gente fala sobre isso, mas somente algumas pessoas realmente fazem as coisas. Não como alguns anos atrás.

S: A questão é: porque temos que construir paredes? Eu não me sinto como uma parte da merda do screamo ou qualquer outra coisa. Punk é uma rede, baseada nas pessoas que você conhece, no jeito que você irá amá-las ou odiá-las. Não é problema ser popular ou não, não me interessa se o que eu vou tocar com toda minha energia vai me fazer ter mais shows. Então ter shows para tocar não é um problema, muitas pessoas acreditam em outras coisas do que apenas fazer shows para inflar seus egos ou encher suas carteiras, e enquanto isso funcionar desse jeito, haverá entusiasmo!

4 - A mídia deturpou totalmente o termo emo e screamo. Vocês se incomodam com isso? Como vocês vêem os rótulos criados a cada dia? Um mal necessário ou os consideram inúteis, apenas nomes?
*Nessa pergunta Simon (S), acabou se confundindo com o significado de “label” que pode ser traduzido como rótulo ou então selo, como o nosso J.

I: Estou com receio de ser mau em minha resposta. Minha opinião é que quando a mídia pega algo, quando eles tocam em algo novo, eles apropriam e distorcem isso. Isso me enoja. Eu amo dividir minhas descobertas e minhas novas bandas favoritas somente em um círculo de amigos. Sou bastante egoísta e não consigo dividir coisas com alguém que não entende sobre o que estou falando, alguém que não tem conhecimento sobre música independente, sobre a cena punk ou “coisas undergound”. Quando eu falo com meus primos que são 15 anos mais novos do que eu, me dizendo que Tokyo Hotel, Fall Out Boy e outras bandas de merda são EMOS, me dá vontade de chorar. Meios de comunicação em massa são só porcarias. E quando eu digo a eles que Yage, Hot Water Music, Amanda Woodward ou Envy são bandas EMO, eles olham para mim como se eu fosse de outro planeta, me perguntando: “quem são esses?”.

B: O conceito de “emo-screamo” perdeu seu significado com muitos grupos que usam este termo sem saber sua origem ou seu sentido, porque se fala disso mais do que antigamente. Eu não vejo nenhum interesse em mediar isso, e acho que isso pode ser prejudicial para nós (e pra nossa cena). Finalmente, o que chamamos de “underground” ou “indie music”, se tornaria “música popular”, no sentido de que é a música que vai às pessoas e não ao contrário. 5 anos atrás quando alguém me perguntava o que eu ouvia, eu respondia “emo-screamo” e eles respondiam “o que é isso?”. Hoje, quando respondo a mesma pergunta, as pessoas respondem “Oh, você gosta dessa música pra adolescente andrógino? Você curte rímel e maquiagem?”. Algumas vezes isso me deixa triste, porque a mídia distorceu completamente este termo.

M: Na verdade, é principalmente “moda”, como calças apertadas ou tênis converse, não? Para mim, é verdade que podemos pensar ter orgulho por ser parte da cena, que é verdadeiramente independente, é uma coisa boa. Mas é como qualquer arte, algumas vezes você vê um tipo de reconhecimento por ser “imitado” ou “copiado”, a partir do momento que isso traz algo novo. Isto talvez permitirá as pessoas mais novas conhecer algumas coisas das cenas independentes.

S: “Mal necessário” pra que? Fazer essas coisas se tornarem popular? A mídia é uma grande merda. Tudo o que dizem é totalmente desfigurado. Se alguém se sente independente o bastante e confortável com o que ele ouve, lê ou vê nessas máquinas de propaganda, tudo bem. Eu não me importo e sou informado o suficiente, conversando com as pessoas. Além disso, se nós ficássemos ofendidos por isso, nós seríamos os tipos de caras que acreditam que, usando calças apertadas vão se encaixar na cena em que querem ser parte e que acham que essas palavras são algum tipo de coisa sagrada. Mas, há propósito, nos caracterizar de algum modo e tentar pertencer a algum grupo, é algo que todos fazemos...
Se por “rótulos” você quer dizer estas grandes indústrias que alegam ser independente e investem milhões na turnê do Thursday, então eu realmente não ligo pra elas e a imagem ou face que elas constroem dentro da música independente. Se você quer dizer, pessoas ajudando outras, dando seu dinheiro para lançar um cd ou organizar uma turnê e tal, então sim, eu me importo e tenho que dizer que essa é minha vida nos dias de hoje! Tentando fazer as coisas, deixando de lado a sociedade baseada no lucro, é o conceito mais importante no punk.

5 - Hoje em dia, o mundo está um caos. Somos guiados pelo trabalho, dinheiro, insegurança, stress e todas as conseqüências que a vida moderna nos deixa. Como é para o Chaos Is viver entre "vida comum" e o hardcore/punk?
I: O “punk” rege minha vida todos os dias. Eu tenho meu próprio emprego, então não dependo de um chefe. Eu controlo minhas prioridades como quero, coisa qual é a mais importante para mim. Trabalho cedo pela manhã, especialmente pra pagar minhas contas e meu aluguel, mas a banda é minha prioridade. Eu tenho tempo pra fazer pequenas coisas para o CHAOS IS..., como estampar alguma coisa (estou fazendo silkscreen – estampando à mão) ou desenhar e pintar.

M: É uma pergunta difícil! Na verdade, como designer gráfico em uma agência da web, não é sempre fácil misturar trabalho para grandes “companhias francesas” e a “comunidade punk”. Mas isso me permite “olhar para trás” para as duas coisas e continuar me desafiando. Isto me permite entender que algumas vezes a vida é injusta e outras vezes, a vida é feliz. Isso é cheio de partilha, trocas e se abrir pro mundo em nossa volta.

S: Você parece acreditar que fazer coisas ligadas ao punk e viver uma “vida normal” são coisas diferentes. Acho que está errado. Eu não me sinto como se tivesse duas personalidades, minha banda, meus zines, organização de shows... Essa é minha rotina, minha vida normal. Eu trabalho para ter dinheiro para o aluguel e para comer, basicamente. Só tento lidar com o caos do mundo e tudo o que faço com meu coração.

6 - Sabemos que na França existem muitas bandas tocando ótima música, mas gostaríamos de saber como é a parte política da cena por aí e como vocês lidam com isso.

I: Não sei se as bandas que ouço têm um “elemento político”. Não vejo isso refletido em suas músicas. Mas existem muitas bandas que usam a política subjugada. Eu acho que a cena anarco-punk, por exemplo, é altamente politizada. Para mim política é só besteira. Eu não entendo nada, mas me interesso um pouco, para ter opiniões em discussões/conversas. Infelizmente, não consigo. Minha visão de política é um tipo de círculo onde corruptas indústrias e governos estão puxando as cordas da nossa sociedade, que perseguem uma glória individual e lucro. Eu não me sinto influenciado, tento viver sem pensar sobre isso, as pequenas ações que faço ao meu redor são suficientes para me sentir “ativo” e “vivo”.
[Nota: a música “WE CAN’T CHANGE THE WORLD” fala sobre isso. É um pouco “pessimista”, no sentido de que nada pode ser feito para mudar o mundo inteiro, mas nós podemos fazer algumas pequenas coisas para mudar e melhorar nossas vidas.]


M: Eu acho que mais forte do que a política é juntar pessoas através de eventos, shows, festas, arte, trocas culturais. E ser unido, não necessariamente naquela hora, mas durante momentos de intensa alegria e felicidade, tentar guiar as coisas e mudar o mundo! Como Ianik disse, a política tenta individualizar-nos (pelo menos é o que acontece na França).

S: Eu não conheço a postura política da cena francesa, mas sou 100% convicto que você não pode ignorar a parte ativista trazida pela escolha que você fez ao pertencer a isso. Eu acho que quando você é parte da “comunidade punk” (na verdade, odeio esse conceito) você não pode ser apolítico... você faz a escolha de não ganhar dinheiro com o que você faz, de se expressar livremente, de falar sobre tudo o que está errado ou certo, na sua vida ou na sociedade, e pelo fato de ser uma alternativa ao mundo do mainstream, é altamente político.

7 - Quais bandas, atualmente e no passado, você diria que influenciaram o Chaos Is?

I: Para mim, sobre o screamo, acho que o GANTZ. Esta banda realmente me fez entrar na cena screamo/emo. Foi durante 2002/2003. Eu organizei um show para eles. Nos tornamos amigos e tocamos algumas vezes juntos com o IBLYLOM. Então, eu ouvi outras bandas como Yage, Envy, Orchid, Kaospilot, Daïtro e Amanda Woodward. Essas são algumas das minhas influências. Mas quando era mais novo, adolescente (por volta de 1993 a 1998 hahaha) eu ouvia punk rock e metal como Deftones, Faith No More, Sick of It All, Nirvana, Suicidal Tendencies, Korn, Machine Head, Sepultura, Defdump, Life Of Agony, Alice In Chains, Converge, Type O Negative, Slayer, Downset... Todas essas bandas me deram algo especial, tanto musicalmente quanto com suas letras e mensagens.

B: Eu toco em bandas há 10 anos e é evidente que tive muitas influências diversas. Mas para mim, minhas primeiras influências nesta cena foram bandas como Gantz, Envy, Yage e Converge. Para o “CHAOS IS” foi um pouco diferente porque queria tocar algo mais “violento”, que levou a um estilo ‘ala’ Orchid, Kaospilot, Raien e An Albatross, para fazer músicas mais curtas e mais rápidas.

M: Eu comecei fazendo aulas de música tocando piano aos 6 anos. Eu tive minhas primeiras emoções com partituras de Chopin. Depois ouvi velhos LPs de meu pai, como Mike Olfield, the Rolling Stones e Beatles. Acho que isso foi quando eu gostei de rock e quis tocar rock. Então como todos adolescentes, eu fiquei rebelde. Ouvia “rock pesado” e metal (como Deftones, Faith No More, Slayer, Nirvana, Korn, Pantera) e especialmente punk rock (primeiro NOFX, Propagandhi, Bigwig, The Ataris, Useless ID, Inspection 12 e Belvedere). Eu toquei em uma banda quando estava no segundo grau, onde tocamos nosso primeiro show de punk rock (não estou contando as milhares de bandas que tive com nossas primeiras cervejas). Depois então me liguei na cena “hxc” com bandas como Converge. Depois vieram Orchid, Envy, Saetia, Transistor Transistor. Desde essa época, eu ouço um pouco de tudo, post-rock, post-punk, screamo e outros blast-rock, punk, folk, algumas vezes electro. Eu me inspiro em um pouco de tudo. Há uma porrada de coisas boas em diversos estilos.

S: Todas as bandas emo dos anos 90 dos U$A como 400 years, Stop It ou coisas como Makara, Volume Eleven, Orchid, Uranus. Mais recentemente coisas como emoviolence alemão: Tristan Tzara, June Paik… Particularmente não estou muito ligado a essas coisas mais, mas isso ainda conta muito!

8 - O que o DIY significa para vocês?

I: DO IT YOURSELF, eu amo essas três letras! DIY é para mim uma fonte de inspiração, criatividade e imaginação. “Paixão” no desenvolvimento de projetos que colocamos em prática sem muita ajuda de fora e acho que não tem nada mais recompensador do que dizer “aqui está, eu fiz isso!”. Eu me encontro nessas três letras pelo envolvimento no ato de consumir o mínimo possível. Isso acende minha idéia de “anticonsumismo”. Tento recuperar o máximo possível de materiais desperdiçados, provavelmente para serem re-usados. Isso me faz voltar a sua questão sobre “política”. DIY certamente não é um movimento político (assim espero), mas eu me encontro completamente nessa idéia. Eu encontrei no DIY uma alternativa ao consumo ou qualquer coisa comercial. Se eu posso fazer tudo por mim mesmo e oferecer um “produto” a baixo custo ou até mesmo de graça, acho que isso representa o conceito do DIY.
B: Isso significa muito para mim. DIY é um assunto qual nós poderíamos falar por horas, mas principalmente, isso significa a mim anti-consumismo, franqueza, encontro entre pessoas, ajuda mútua, rejeição da indústria da música, prover a própria subsistência, assegurar que nosso mundo não gira em volta de dinheiro e viver do melhor jeito possível com o que temos.

M: Obviamente “faça você mesmo”. Eu tive de incorporar este conceito quando construí meu primeiro obstáculo de skate (um velho caixote de madeira e velhas barras de ferro). Agora eu ainda vivo com isso, em muitas áreas, na parte musical e artística, ou mesmo no meu trabalho como designer gráfico. Nós ouvimos bastante sobre DIY, mesmo no marketing. Muitas marcas estão customizando objetos por artistas para alcançar os jovens e vender essas coisas mais facilmente. Então onde acaba a definição desse termo? Pelo menos eu considero essas três letras como um movimento político, mas muito como uma reflexão de valores e respeito que damos as coisas.

S: Mmmhm, boa pergunta. Na verdade eu acho que hoje em dia, o DIY é só um folclore. Uma palavra vazia de sentido como a palavra “sem-lucro”...qual é! Quando você faz um show “sem-lucro”, você devolve o dinheiro, se sobrar algum? E como isso é uma lenda e usado como tal, algumas pessoas vão provar a você que você não está seguindo esse conceito DIY porque você compra comida em um super mercado... Desculpe-me Matt, mas DIY não é só fabricar um skate, isso é o estabelecimento do punk. O jeito como vives e pensas, isso é mais um conceito do que um fato realista.

9 - O que podemos esperar do Chaos Is... no futuro? Projetos, turnês, lançamentos, etc? Alguma coisa em mente?

I: Sim, há. Nós gravamos 5 músicas para um split 4way, com quatro bandas francesas. Vocês terão 2 dessas 5 músicas nesse cd (What About Tomorrow? Let’s Dance for Freedom!). E nós agora temos um segundo guitarrista chamado Sébastien. Estamos trabalhando em novas músicas com ele e vamos tocar mais rápido e mais alto porque com 2 guitarristas, nós podemos ampliar nosso som. Finalmente, espero que possamos gravar algumas novas músicas no próximo verão e lançar um 7” EP que representará mais a banda com essa nova formação.

B: Nós tentaremos fazer o que nós sempre fazemos quando tocamos. É importante pro nosso equilíbrio, para exteriorizar nossas emoções enquanto as dividimos com outras pessoas através de discos e shows.

10 - Vocês conhecem alguma coisa sobre a cena brasileira? E vocês gostam?

I: Não conheço muitas coisas do Brasil. Conheço bandas como Ekidad ou Ekkaia, mas nem sei se são brasileiros. É claro, conheço o SEPULTURA, mas acho que ele já estão “fora de moda” hoje em dia, hahaha.

B: America do Sul POWA STYLE! Somente sons rápidos e violentos na sua cara. Eu curto isso ;o)

M: Não conheço muito. Mas gostaria de conhecer mais, com muito prazer!

S: Eu realmente amo o Discarga, ótimo thrashcore, eu os vi ao vivo e eles arrebentam! Eu também curto Ratos de Porão. Eu espero não te ofender se te disser que música brasileira aqui é sinônimo de música baseada em ritmo! Eu amo percussão no geral, tocar numa batucada é incrível e o jeito como vocês tocam seus instrumentos realmente com vontade, é totalmente insano!

11 - Alguma coisa a mais que vocês gostariam de dizer? Muito obrigado pelo seu tempo e principalmente sua dedicação e paciência e espero nos vermos em breve numa turnê pelo Brasil!

I: Só quero agradecer a vocês por tudo que estão fazendo. Vocês são fodas! É incrível que depois de alguns e-mails, nós estamos lançando um pequeno material juntos, no seu país. Isso contribui para o DIY crescer mais rápido. Espero que possamos nos encontrar algum dia e tocar em seu país! Obrigado mil vezes! Nós amamos vocês!

B: Sim, quero dizer OBRIGADO pelo que está a fazer por nós. Estou tão feliz de pessoas como vocês lançar nosso CD no Brasil, de um jeito DIY. Não poderíamos encontrar algo melhor, então obrigado pelo seu esforço. Espero que possamos nos encontrar algum dia.

M: Obrigado por permitir nos expressarmos. E desejo uma vida longa a seu selo!

S: Brasil tour! Yeah yeah yeah! Muito obrigado, amo vocês agora! Venham nos ver também!

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